Artigo publicado originalmente na Revista CIO.
O líder da área de tecnologia enfrenta uma grande dificuldade nas organizações, uma vez que virou alvo de todo o tipo de crítica e de jogos de poder.
Após quase 24 anos de atuação em consultorias voltadas à TI, no último ano, tenho dedicado minha carreira ao coaching de executivos. Por experiência e afinidade, muitos profissionais da área de tecnologia têm compartilhado comigo a crescente desmotivação com a profissão que escolheram e isso me faz refletir sobre a situação da carreira do CIO.
Uma recente pesquisa da Forrester Research aponta que a crise financeira do último ano abriu oportunidades para o CIO atuar em outras áreas dentro da organização, expandindo assim seus horizontes e credibilidade na empresa. Já outras opiniões de consultores de mercado recomendam foco na área de atuação, especialização na TI verticalizada e adequação de perfil junto para atender às dificuldades geradas pela crise.
Uns falam para expandir, outros para concentrar, ou seja, alguns apostam em uma visão holística e outra parcela defende uma visão focada e centrada. O que isso reflete, entretanto, é a grande dificuldade em que se encontra o CIO nas organizações modernas. Vista por alguns CEOs, CFOs e COOs como um grande mal necessário, a tecnologia da informação e aquele que ocupa a liderança da área, viraram alvo de todo o tipo de crítica e de jogos de poder.
Em recente pesquisa que realizei com várias empresas, discuti sobre o momento de carreira do profissional de TI. Minha conclusão é que o CIO só tem real importância estratégica nas organizações totalmente dependentes de tecnologia da informação ou naquelas em que a terceirização é fator critico de sucesso. No primeiro caso, ele é um mal necessário, no segundo, é um instrumento de ajuste de custos.
A pergunta que fica é: como motivar o profissional dentro desse cenário? Criatividade, produtividade com qualidade de vida e trabalho parecem ter sido esquecidas a muito tempo nas organizações. A pressão a que são submetidos os CIOs é exageradamente alta se comparada ao reconhecimento que a empresa lhe proporciona.
O fato é tão grave que em estudos de mercado podemos ver o êxodo das faculdades de TI. Como motivar nossos jovens nessa carreira, se no cargo mais alto a ser alcançado, o de CIO, temos uma crise de identidade profissional? Questiono se, em algum momento, não vai surgir um guru da administração definindo que a função do CIO pode ser virtualizada, como a nova onda que atualmente domina os assuntos de otimização de TI nas organizações. Imagine um CIO virtual, espalhado e otimizado por todas as áreas de negócios da companhia. Isso seria o sonho de consumo de alguns CEOs.
Colocando de lado a imaginação e bom humor, a carreira do CIO precisa passar por uma reestruturação nas organizações, na qual o foco, produtividade, criatividade e capacidade de agregar valor ao negócio continuem a ser os pontos principais. Porém, é necessário que o profissional de TI seja mais respeitado e reconhecido. Os outros C-Levels da organização também têm de realmente abraçar a tecnologia da informação e levá-la para suas áreas, seu dia a dia e seus clientes. A via é de duas mãos: a integração tão desejada entre TI e negócio tem de partir de ambos os lados.
Após uma crise como a que passamos, o sistema se regulariza, mas nunca mais é o mesmo. Quem sabe a nova ordem nas organizações pós-crise, realmente consiga estabelecer a integração que nunca ocorreu de fato entre áreas tão vitais ao sucesso das empresas.








