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	<title>Ezencutivo &#187; Felipe Mello</title>
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	<description>Business Coaching e Mudança Organizacional</description>
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		<title>E o tal Voluntariado Empresarial? Vocação ou Obrigação?</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 02:01:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Mello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[ONG's]]></category>
		<category><![CDATA[Responsabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[Voluntariado]]></category>

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		<description><![CDATA[Existe um movimento que vem ganhando força no ambiente corporativo, ou ainda, nas empresas que compõe o segundo setor. Antes de entrar no prato principal, vamos à cozinha. Em termos práticos, existe uma classificação que aponta o primeiro setor como sendo o governo (com todas as organizações públicas sem finalidade lucrativa), o segundo como aquele formado pelas empresas privadas com finalidade lucrativa e o terceiro como o movimento organizado da sociedade civil, notadamente por meio das organizações sociais privadas sem fins lucrativos, popularmente conhecidas como ONGs.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Existe um movimento que vem ganhando força no ambiente corporativo, ou ainda, nas empresas que compõe o segundo setor. Antes de entrar no prato principal, vamos à cozinha. Em termos práticos, existe uma classificação que aponta o primeiro setor como sendo o governo (com todas as organizações públicas sem finalidade lucrativa), o segundo como aquele formado pelas empresas privadas com finalidade lucrativa e o terceiro como o movimento organizado da sociedade civil, notadamente por meio das organizações sociais privadas sem fins lucrativos, popularmente conhecidas como ONGs.</p>
<p>Observando a dinâmica destes atores sociais, é possível observar que nas últimas duas décadas algumas práticas começaram a se tornar mais presentes, principiando raízes que começam a se aprofundar no terreno social brasileiro.</p>
<p>As ONGs conquistaram mais espaço, ganharam visibilidade junto à mídia, tornando muitas delas conhecidas e seus líderes quase celebridades. Junto à exposição veio o perigoso título de “exemplo” a ser seguido pelo governo e um local de manifestação dos cidadãos, por meio do engajamento em causas das mais variadas naturezas. O título pode ser considerado perigoso porque existem, como nos outros dois setores, inúmeros casos de “pilantropia”, o que torna necessária uma observação além da sedutora postura de “bom-mocismo”.</p>
<p>A relação das ONGs com o governo também se acentuou, com muitas parcerias nas áreas de assistência social, educação e saúde. Em alguns momentos, ontem e hoje, inclusive, existem muitas opiniões versadas sobre estas parcerias, as quais condenam a possível substituição de papéis, algo que amiúde realmente acontece. Deve ficar claro, urgentemente, que o papel de uma ONG não é substituir as obrigações legais do Estado, seja na esfera municipal, estadual ou federal. Trata-se de uma possível sinergia, principalmente tendo a ONG – para recordar, a manifestação da sociedade civil organizada – o papel de fiscalizar e propor alternativas aos governos. Substituir pode ser a saída no curtíssimo prazo, atendendo demandas latentes. Persistir na substituição pura – o que é diferente de parcerias lúcidas – não resultará no desejado respeito às previsões constitucionais.</p>
<p>Por conta deste movimento todo, as empresas começaram a ser “convidadas” a participar do baile. Externamente, a sociedade – leia-se clientes – começou a observar o comportamento socialmente responsável (ou irresponsável) das empresas. Internamente, os colaboradores também iniciaram um tímido movimento de sugestão, deixando claro que a participação em programas sociais era algo relevante e desejável, inclusive como fator de satisfação em relação ao clima organizacional. Não podemos descartar, obviamente, aquelas iniciativas empresariais que começaram a surgir espontaneamente em função dos valores efetivamente praticados por aquela empresa. Há empreendedores também neste terreno.</p>
<p>É impossível deixar de reconhecer que o movimento de responsabilidade social empresarial vem ganhando força nas últimas duas décadas, com especial aceleração nos últimos cinco anos. São diversos os aspectos, porém, a serem considerados antes de imprimir a chancela de “socialmente responsável” em uma organização: sustentabilidade no processo de produção, controle de poluentes, governança corporativa, relações com fornecedores, balanço social, inclusão social e digital, relações com a comunidade, envolvimento dos colaboradores entre outros.</p>
<p>Neste cardápio de conceitos e possibilidades, o foco aqui será o envolvimento dos colaboradores por meio de campanhas pontuais e regulares, o que vem sendo chamado de voluntariado corporativo ou empresarial. As áreas de recursos humanos, marketing ou responsabilidade social – quando a empresa já a possui – normalmente são as principais promotoras destas iniciativas. A partir da determinação da direção ou de uma consulta aos funcionários, estratégias são criadas. Obviamente existe a necessidade de contato com a comunidade, pelo qual são determinadas algumas ações a serem feitas pelos grupos de voluntários. Importante registrar que a grande maioria das ações com estas características ainda se baseia na doação de produtos materiais, via de regra alimentos, agasalhos, material escolar ou itens para reforma. Longe de ficar preso à uma crítica simplória do que se convencionou chamar de assistencialismo, o essencial é compreender a vocação do grupo de colaboradores em se tratando de ações sociais.</p>
<p>Neste momento é possível comentar a relação do <a title="Canto Cidadão" href="http://www.cantocidadao.org.br/" target="_blank">Canto Cidadão</a> com algumas empresas. Desde 2004, ações vêm sendo desenvolvidas em ambiente corporativo, tanto no que tange à sensibilização, capacitação e orientação prática de iniciativas criadoras de intersecção entre a empresa e o ambiente comunitário. Este relacionamento normalmente começa com uma pesquisa que o Canto Cidadão conduz junto aos colaboradores, a qual determina a vocação da empresa neste sentido, ou seja, a pesquisa é capaz de apresentar aquilo que a equipe interna gostaria de fazer em se tratando de voluntariado. A partir de então, este material é trabalhado e uma ponte é estabelecida com as diretrizes da empresa, chegando a um plano de ação, execução de tarefas e posterior avaliação dos resultados e aprimoramento para as próximas incursões.</p>
<p>O Canto Cidadão preferencialmente mantém o relacionamento com a empresa e com o grupo, que acaba se inserindo o máximo possível nas atividades que também são direcionadas aos voluntários diretos da organização. Importante ressaltar que após o treinamento inicial, o grupo continua sendo submetido a uma capacitação continuada, aprimorando as suas “ferramentas” para a realização excelente das tarefas nos programas sociais.</p>
<p>Esta experiência aponta para uma saudável possibilidade de parceria entre ONGs e empresas, desde que haja um encontro entre a solidariedade, consciência e competência. Afinal, tanto a organização quanto a empresa, mas especialmente o público beneficiário, demandam este “saber fazer bem o bem”, para que o programa se torne sustentável e digno de nota. Os benefícios deste saber fazer bem são irrefutáveis: aos voluntários, a possibilidade de se desenvolverem como pessoas (pela prática de habilidades e competências práticas e emocionais) enquanto contribuem para o equilíbrio social; às empresas, a possibilidade de efetivamente exercitarem a responsabilidade social, menos pelo fato de doar produtos e serviços e mais pelo papel de espaço de ampliação da consciência cidadã; por último, mas não menos importante, à coletividade, representada pelas organizações sociais beneficiadas ou diretamente um espaço público, o apoio dos seus “clientes”, ou seja, os cidadãos, uma vez que não há forma de construir mais equilíbrio social sem os olhos atentos e os braços esforçados dos habitantes de um espaço comum.</p>
<p>Para não soar utópico e “poliânico”, fica também o registro do enorme desafio que ainda se apresenta junto às ações de voluntariado empresarial. Desde a fragilidade do interesse de muitas empresas – que inicialmente estão apenas seduzidas pela possibilidade de visibilidade junto aos formadores de opinião, até a falta de compromisso regular – além do oba-oba inicial &#8211; dos voluntários colaboradores e o despreparo de muitas organizações ou espaços públicos que recebem as ações. Diante deste cenário, é fundamental investir em pesquisa e melhoria das práticas de implementação e gestão de programas de voluntariado empresarial. Acreditar que a nobre missão dará conta de tudo é ilusão, amadorismo e irresponsabilidade. Como em qualquer área da vida, a competência ética, entusiasmada e persistente amplia sensivelmente as chances de conquista. Não é diferente nesta seara.</p>
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		<title>O século 21 é das mulheres</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 10:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Mello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gestão de Mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Sustentabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Solidariedade]]></category>
		<category><![CDATA[Superação]]></category>

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		<description><![CDATA[A evolução da espécie humana ofereceu caminhos diferentes para homens e mulheres. Embora convivam desde a sua origem, estas partes apresentam características que as distinguem de forma contundente, especialmente quando são observadas questões comportamentais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Resiliência, bom humor e solidariedade ajudando na travessia rumo ao futuro.</em></p>
<p>A evolução da espécie humana ofereceu caminhos diferentes para homens e mulheres. Embora convivam desde a sua origem, estas partes apresentam características que as distinguem de forma contundente, especialmente quando são observadas questões comportamentais.</p>
<p>Percorrendo a história de forma veloz e singela, fica nítido o aperfeiçoamento da mulher em termos relacionais. Afinal de contas, ela ficava com a prole enquanto o homem saía em busca de alimentos, por vezes durante longos períodos sem contato com outros seres da mesma espécie.</p>
<p>Inúmeras gerações se passaram e ainda no século 21 a mulher se mostra mais preparada para entender, e acolher, gente. Sem generalizar, pois definitivamente toda generalização é burra, um olhar mais atento ao redor demonstra o estágio mais avançado de desenvolvimento das habilidades emocionais delas. Em casa, no trabalho ou na sociedade em geral, as mulheres se mostram mais prontas para exercer três competências essenciais para este período da história: resiliência, bom humor e solidariedade.</p>
<h3><span style="color: #3366ff;">Capacidade de superação</span></h3>
<p>Resiliência é um termo primeiramente utilizado pela física que significa a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão. As ciências humanas utilizam este termo para qualificar a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo de sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades.</p>
<p>Ao longo da história, as mulheres vêm demonstrando a sua capacidade de superação, colecionando desafios vencidos. Exemplo óbvio são as épocas de guerras, que infelizmente permearam quase toda a história humana. Nestas oportunidades, legiões de homens foram e não voltaram, deixando a elas a tarefa de erguer a geração seguinte. Ponto para as mulheres.</p>
<h3><span style="color: #3366ff;">Sorrisos e risadas criam vínculos</span></h3>
<p>Robert Provine descobriu que a probabilidade de o riso acontecer em situações sociais é 30 vezes maior do que quando a pessoa está sozinha. Ele descobriu também que o riso tem menos a ver com anedotas do que com a construção de relacionamentos: somente 15% do nosso riso resulta de piadas.</p>
<p>Embora entre os voluntários não houvesse diferenças significativas de avaliação quanto à graça dos videoclipes apresentados na pesquisa, os que os assistiram sozinhos riram menos do que os que os assistiram ao lado de outra pessoa, fosse um amigo ou um estranho. A ocorrência do riso, assim como sua freqüência e duração, era muito maior em situações de interação social.</p>
<p>Quase indispensável apresentar os benefícios do bom humor, bastando ressaltar o seu poder de gerar saúde física (produção ampliada de neurotransmissores, que geram bem estar e reforçam o sistema imunológico) e emocional (enriquecendo as relações sociais).</p>
<p>A pesquisa citada reforça indiretamente a maior capacidade de geração de bom humor que a mulher tem, pelo simples fato de ser mais gregária, ou seja, investir e usufruir mais do que foi chamado de interação social. Em tempos de estresse e depressão crescentes, quem encontra motivos para rir (mais facilmente encontrados em grupo) leva vantagem em termos de qualidade de vida. Mais um ponto para elas.</p>
<h3><span style="color: #3366ff;">O poder da comoção</span></h3>
<p>O verbo comover é visto regularmente de forma distorcida. O seu sentido mais potente é o de mover-se junto (co-mover). E esta postura de vida é alimentada pela capacidade de se colocar no lugar do outro e se solidarizar.</p>
<p>O voluntariado é a expressão prática da solidariedade, atividade que desde 1532 (primeiro registro na Santa Casa de Misericórdia de Santos/SP) vem cumprindo papel fundamental para a redução das injustiças no Brasil. Se o país já é injusto com o exercício do voluntariado, fique à vontade para pensar em um caos ainda maior se ele não existisse.</p>
<p>Na prática voluntária, adivinhem quem é o personagem protagonista! Sim, a mulher. Raro é o programa social que não tem em sua liderança (de fato ou de direito) uma mulher.</p>
<p>Um exemplo é o caso dos Doutores Cidadãos, voluntários que desde 1999 utilizam a figura do palhaço para levar alegria e cidadania a mais de 40 hospitais na Grande São Paulo. Neste grupo, 74,5% dos quase mil voluntários já treinados são mulheres. Fato adicional: muitos homens chegaram ao grupo em função de alguma conhecida já estar atuando. Ponto para quem?</p>
<h4>Vitória de goleada</h4>
<p>O objetivo não é aguçar os atritos já existentes entre homens e mulheres, a já promovida “guerra dos sexos”. Pelo contrário. Cabe ao homem inteligente, empresa inteligente e sociedade inteligente perceber que a mulher desenvolveu a sua caixa de emoções mais do que o homem, que possui via de regra uma caixa de ferramentas mais reforçada. O segredo é compartilhar, crescendo juntos, com respeito às características e potencialidades de cada gênero.</p>
<p>Em um mundo carente de relacionamentos saudáveis, as habilidades de lidar com situações adversas e levantar a cabeça, construir bom humor em si e nos outros e participar de ações sociais transformadoras transformam a mulher em candidata natural à liderança deste século definitivo para os seres humanos em termos de sobrevivência.</p>
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		<title>Comunicação Celular</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 01:58:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Mello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Mudanças]]></category>
		<category><![CDATA[Ser Humano]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 1995, quando cheguei à capital de São Paulo para cursar o Ensino Superior, meus pais compraram uma linha telefônica da Telesp. Valor de investimento: quatro mil e quinhentos reais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1995, quando cheguei à capital de São Paulo para cursar o Ensino Superior, meus pais compraram uma linha telefônica da Telesp. Valor de investimento: quatro mil e quinhentos reais.</p>
<p>A telefonia móvel celular em São Paulo tinha sido inaugurada em 1993, mantendo-se por muitos anos como artigo de luxo. A imensa maioria dos brasileiros tinha mesmo de pagar caro para ter um telefone, aguardando com bastante paciência em alguns casos.</p>
<p>Nos dias de hoje, em vez de uma linha fixa, eu e meus familiares compraríamos um chip pré-pago celular de uma mesma operadora, falando praticamente de graça entre nós.<br />
O tempo passou e veio a privatização das telecomunicações, fazendo o valor do ativo &#8220;linha telefônica&#8221; despencar mais que a máscara de alguns senadores recentemente, confessos surpresos por receberem auxílio-moradia mesmo sem tal direito ter.</p>
<p>Em termos de retorno financeiro, talvez tenha sido um dos piores investimentos que os meus pais tenham feito. Em termos de retorno para o país, alguns representantes públicos também apontam péssimo retorno.</p>
<p>No final de 2008, o número de linhas de celulares atingiu 121 milhões de unidades, atendendo a quase 64% da população. Muita gente habilitada para se comunicar.</p>
<p>Fim das referências pragmáticas. Vamos para o campo do comportamento, onde moram as relações humanas.</p>
<p>Há alguns dias vivi mais uma história marcante em uma visita hospitalar. De um lado, uma paciente na faixa dos sessenta anos. Do outro, o personagem palhaço que interpreto nas visitas hospitalares, Dr. Raviolli Bem-te-Vi. Entre eles, como instrumento protagonista, um telefone celular.</p>
<p>Ao cruzar um corredor da unidade de saúde, fui chamado por uma paciente. Ela estava aflita. Queria expressar uma necessidade premente: o desejo de se comunicar com a sua mãe; há dias não enviava notícias sobre a sua saúde e tampouco recebia novidades sobre a saúde materna. Perguntei como poderia ajudar. Ela me respondeu que se eu tivesse um aparelho celular de uma determinada operadora, poderíamos fazer uma ligação gratuita para uma sobrinha de parentesco distante, na casa de quem estava hospedada a citada mãe.</p>
<p>O meu celular não era da referida operadora, mas eu menti. A causa me pediu.</p>
<p>Antes do desfecho, uma digressão: as atuais operadoras de telefonia têm nomes absurdamente singelos e até certo ponto curiosos, especialmente se comparados aos de outrora. A primeira empresa brasileira no segmento foi a <em>Brazilian Telephone Co</em>., que depois de passar por diversos proprietários, foi incorporada, no ano da proclamação da República, à <em>Brasilianische Elektricitats Geselschaft</em>, com sede em Berlim.</p>
<p>A comunicação humana está cada dia mais simplória, menos pelos nomes que levam as empresas, mais pelo valor dado ao verdadeiro ato de se comunicar.</p>
<p>Pedi à paciente que me dissesse o número da sobrinha. Disquei. Quando alguém atendeu, passei o aparelho à ansiosa filha. Após um rápido cumprimento, percebi que a mãe estava do outro lado da linha. A voz da paciente ficou embargada. Os olhos marejaram.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #3366ff;">- Mãe, sua bênção. A senhora está bem? Eu estou melhor, rezo pela senhora todos os dias. Quando eu sair vou direto buscá-la. Te amo, minha linda. Fica com Deus.</span></p>
<p>A conversa foi rápida. Tempo suficiente para acalmar o peito daquelas duas mulheres, separadas por uma distância que ainda não consegui determinar &#8211; e talvez nunca consiga. A paciente era portadora de HIV. Seus filhos não a acompanham durante as sucessivas internações, por desaprovarem o comportamento que a levou à doença. Na solidão que pode existir no ato de ser mãe, aquela mulher buscou abrigo no ato de ser filha.</p>
<p>Poucas vezes na vida o meu aparelho celular foi tão útil. Pouquíssima vezes. Naquele quarto de hospital público, o objeto estabeleceu real contato celular, unindo por microondas e pelo afeto células iguais de mesma origem.</p>
<p>Na exposição do Centenário da Independência dos Estados Unidos, na Filadélfia, ocorrida em 25 de junho de 1876, Graham Bell demonstrou, pela primeira vez em público, que seu invento falava. E foi o imperador D. Pedro II, único monarca convidado para aquela festa, quem inaugurou o telefone. A uma distância de 150 metros, ele pôde ouvir Graham Bell declamar o famoso verso de Shakespeare: <em>&#8220;To be or not to be&#8230;&#8221;</em> (&#8220;Ser ou não ser&#8230;&#8221;, em português). Com o fone no ouvido ele exclamou maravilhado: <em>&#8220;My God, it talks!&#8221;</em> (&#8220;Meu Deus, isto fala!&#8221;, em português).</p>
<p>Talvez se hoje vivessem, o cientista e o monarca humanista dessem outro sentido às suas frases: ser ou não ser humano? Meu Deus, eles falam, mas não se entendem!</p>
<p>Tecnologia é meio, não fim. Qualquer apetrecho material, inclusive dinheiro, é meio, não fim. Coisas que são coisas são fundamentais, mas não chegam nem à porta da morada do que é essencial.</p>
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		<title>O Inferno são os Outros</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Jun 2009 17:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Mello</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sustentabilidade Social]]></category>
		<category><![CDATA[Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Evolução]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão]]></category>
		<category><![CDATA[Governo]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Setor]]></category>

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		<description><![CDATA[O filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre (Paris, 21 de Junho de 1905 - Paris, 15 de Abril de 1980) escreveu uma peça de teatro com o título "Huis Clos", em português traduzido como "Entre quatro paredes".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre (Paris, 21 de Junho de 1905 &#8211; Paris, 15 de Abril de 1980) escreveu uma peça de teatro com o título<em> &#8220;Huis Clos&#8221;</em>, em português traduzido como &#8220;Entre quatro paredes&#8221;.</p>
<p>Nesta obra, três personagens estão confinados em um ambiente fechado (segundo o autor, estão no inferno e cada um é o carrasco dos outros dois), posteriormente ao episódio de suas próprias mortes. Deste local, eles têm a oportunidade de visualizar cenas de seus próprios funerais, acompanhando quem prestou as últimas homenagens, quais foram os comentários e assim por diante. Também durante este momento de confinamento, os três começam a conversar, e a partir destes diálogos surgem argumentos, hipóteses, críticas, dúvidas e teses acerca das relações humanas. O clima ganha ares de tensão, e o maior objetivo de todos é sair daquele local. Afinal de contas, &#8220;o inferno são os outros&#8221;.</p>
<p>A máxima imortalizada nesta obra de Sartre é, e deverá ser por muito tempo atual, especialmente no que tange às responsabilidades sociais, foco deste texto. O esporte predileto de uma quantidade incrível de cidadãos é a &#8220;empurroterapia&#8221;, técnica pela qual transferimos a &#8220;culpa&#8221; de todo e qualquer desajuste da comunidade para outrem. Felizmente tal sorte de traquinagem só habita a área social (!?!).</p>
<p>O poder imagético do leitor criará em sua mente esta cena proposta: os personagens originais da peça substituídos por outras três pessoas: os três setores (governo, empresas e ONGs). Quais reflexões fariam este trio ao observarem, do claustro, o Brasil?</p>
<blockquote><p>&#8220;Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer.&#8221; (Sartre)</p></blockquote>
<p>Os três personagens de nossa história adaptada ficariam por um tempo observando o que estava acontecendo lá embaixo. Afinal de contas, haveria de ser interessante contemplar a morte do primeiro, segundo e terceiro setores. Que caos! Fim dos governos, empresas e iniciativas da sociedade civil organizada. Mas como quase tudo na vida, eles perderiam o interesse na observação passiva e se voltariam uns para os outros, ávidos por esclarecerem os motivos daquelas mortes, e o conseqüente prejuízo que o país teria com o abandono repentino de suas estruturas formais.</p>
<p>Imponente, o governo se levantou, pigarreou, procurou no bolso do seu terno Armani as folhas de seu encomendado discurso, e não as encontrando, decidiu falar de improviso. Tartamudeou muito antes de pegar no tranco; afinal de contas, há tempos não falava sem discurso preparado, pois espontaneidade de verdade requer sinceridade.</p>
<p>Iniciou seu palavrório falando de tudo o que já tinha feito pela nação, das conquistas democráticas, da união nacional, do momento mágico que estava acontecendo, nunca antes visto na história do país. A mensagem mais forte do primeiro setor era que ele estava sempre certo, e que qualquer deslize no desenvolvimento do país deveria ser creditado à falta de apoio dos outros, quem quer que sejam eles. Sem dúvida alguma era um discurso potente, especialmente quando dirigido a uma platéia passiva e portadora de cartões sociais que davam direito a dinheiro todos os meses. Mas o público daquela sala era diferente. Não eram carpideiras.</p>
<blockquote><p>&#8220;Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.&#8221; (Sartre)</p></blockquote>
<p>O terceiro setor não se conteve frente ao descaramento do primeiro. Era tão simplório o argumento de que tudo vai bem desde que o mundo atenda aos nossos direcionamentos. E então ele começou a discorrer sobre as questões estruturais do país, afinal de contas de que adiantava aquecer a economia no curto prazo (com a distribuição do cachê às carpideiras) se as bases ainda estavam capengando?</p>
<p>Educação com resultados pífios em termos qualitativos, como por exemplo em São Paulo, onde as escolas estaduais ficaram com média 1,4 no IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo). O terceiro setor ironizou ainda ao lembrar que se a unidade federativa mais rica estava assim, o que se poderia esperar de outros rincões do país.</p>
<p>E as acusações não pararam! Com veias saltadas, ele praticamente generalizou a epidemia da corrupção e incompetência no trâmite das reformas indispensáveis, que vinha se repetindo há gerações de representantes públicos. Ainda que o governo fosse composto de três braços, verdadeira competência e liderança se dão quando se cria sintonia entre quem legisla, quem executa e quem julga descaminhos.</p>
<blockquote><p>&#8220;És livre, escolhe, ou seja: inventa.&#8221; (Sartre)</p></blockquote>
<p>O momento mais tenso do debate ainda estava por vir. Após ouvir todas as acusações do terceiro setor, o primeiro apenas ergueu uma das sobrancelhas, e com aquele tipo de voz carregada de ironia, disse que o país era democrático graças a Deus, e que se os representantes públicos estavam lá, geração após geração, escândalo após escândalo, era porque o cidadão assim o desejava. Então, olhou firme nos olhos do terceiro setor e pediu para ele dormir com este barulho, porque eram os seus integrantes que elegiam os tais incompetentes e desonestos.</p>
<p>Aquelas palavras desceram como ácido pela garganta do terceiro setor, e se não fosse a intervenção do segundo a sala viraria ringue de boxe. Enquanto o &#8220;deixa-disso&#8221; acontecia, era possível ouvir o ofendido gritando que a maioria da população era politicamente inconsciente, e que o terceiro setor existia exatamente para reverter este quadro de bovinismo eletiroral. O primeiro setor ouvia e dava gargalhadas, insinuando calmamente que tudo aquilo só reforçava o quanto o terceiro setor ainda era inócuo, porque se voltava para seus projetos narcisistas e nem ao menos conseguia ser uma escola de formação de cidadãos &#8211; seu verdadeiro papel &#8211; para romper com aqueles grilhões que estavam sendo apresentados.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.&#8221; (Sartre)</p></blockquote>
<p>Depois de alguns instantes, o segundo setor conseguiu colocar pano quente no imbróglio entre os outros dois. Era fundamental que eles parassem de se estranhar, afinal de contas as duas pontas eram indispensáveis para o seu bem estar. De forma institucional e repleta de pompa, o segundo setor proferiu palavras de parceria e ética, lembrando aos outros dois que era preciso investir cada vez mais em desenvolvimento humano, tecnologia e abertura de novos mercados.</p>
<p>Lembrou os preceitos máximos das teorias econômicas, que profetizaram a ampliação do bem estar coletivo pelo avanço dos meios de produção. Naquele momento ele se sentia o dono do pedaço, pois o terceiro setor estava com dores nas cordas vocais de tanto gritar e com a moral ofendida em seu íntimo, pois sabia que havia muita verdade no que o primeiro setor dissera a seu respeito. O primeiro setor estava recolhido a um canto da sala, torcendo para não mais ser envolvido nas discussões. Ele havia decidido responder a todas as acusações com a tese de que não sabia de nada e que apenas queria que os outros o deixassem trabalhar.</p>
<p>Todavia, no auge do discurso quase onipotente do segundo setor, uma voz invadiu a sala. Toda aquela verborragia de responsabilidade social seria desmontada em instantes. Como era bastante ponderada, a grave voz não generalizou, mas citou apenas um exemplo que certamente refletiria o comportamento da grande maioria dos habitantes do segundo setor.</p>
<p>Será que a direção de uma empresa enorme e lucrativa não sabe que a produção da matéria-prima dos seus produtos, como por exemplo, o tabaco, é feita com a participação maciça de crianças? E que a participação naquela tarefa impregna o organismo dos rebentos com níveis de nicotina tão altos quanto as de um adulto fumante? Será que o diretor daquela empresa oferece cigarro ao seu filho de quatro anos, enquanto ele assiste ao canal de televisão paga?</p>
<p>Só existe uma punição para este tipo de gestão empresarial que patrocina e faz ouvidos de mercador à desgraça na cadeia produtiva: criminalização com penas severas, assim como pagam caro gestores que fazem mal uso dos recursos financeiros dos acionistas, como no caso da estadunidense Enron.</p>
<p>Silêncio sepulcral na sala. A voz se despediu convidando os três a se olharam, se conhecerem melhor, pararem com hipocrisias e vaidades, e realmente se darem as mãos. Era a única forma de ressurreição. Afinal de contas, se o inferno são os outros, o paraíso também são outros.</p>
<blockquote><p>&#8220;O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.&#8221; (Sartre)</p></blockquote>
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